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    • De todas as montanhas de lixo geradas no mundo, a dos eletroeletrônicos é a que cresce mais rápido: são 53 milhões de toneladas por ano. Teoricamente, tudo poderia ser reciclado. O Laboratório Federal para Ciência e Tecnologia de Materiais da Suíça (Empa) registrou a reciclagem informal de lixo eletrônico em 11 países do mundo. Na imagem, uma área de descarte de eletrônicos em Acra, capital de Gana, na África Empa – ewaste Se as regiões com a maior produção per capita de lixo eletrônico forem escurecidas num mapa mundi, ficará escuro na Europa, na América do Norte, na Austrália e na Nova Zelândia. Um americano gera, em média, mais de 19 kg de lixo eletrônico por ano. Um alemão, cerca de 23 kg, e um norueguês, até mesmo mais de 28 kg. Em todo o mundo são 53 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, composto de todo tipo de aparelhos, como celulares, computadores, geladeiras e células fotovoltaicas, afirma o mais recente estudo sobre o tema, apresentado pela Universidade das Nações Unidas nesta quinta-feira (07). Estudo calcula que em 2030 a quantidade global anual de lixo eletrônico poderá passar dos 74 milhões de toneladas Geert Vanden Wijngaert/AP A maior parte desses produtos vai parar no lixo - ainda que eles não sejam, nem de longe, sem valor. Dentro deles há, com frequência, materiais como ouro, prata, platina, cobre, ferro ou terras raras, no valor total estimado de 57 bilhões de dólares. Mesmo assim, no ano passado menos de um quinto dessa montanha de lixo foi reciclada. O resto tem destino incerto. Em parte vai parar no lixo comum e acaba sendo largada num lixão ou queimada. Outra parte vai parar na mão de comerciantes que consertam eletrodomésticos e os revendem em países de renda per capita mais baixa do que as nações industrializadas. Uma parte considerável desse lixo (estimativas afirmam que de 7% a 20%) é exportada de forma ilegal, sob o manto do reaproveitamento ou sob o pretexto de que se trata de sucata. Assim, velhos equipamentos eletrônicos de países ricos vão parar em depósitos de lixo no Leste Europeu, na Ásia ou na África. Lá acabam sendo recolhidos e desmontados ou simplesmente queimados. Esse desmonte ocorre sem o uso de luvas ou qualquer tipo de proteção. A queima também é perigosa, tanto para a saúde humana como para o meio ambiente, pois, além de materiais valiosos, eletrodomésticos também podem conter substâncias venenosas. Para diminuir o lixo eletrônico, especialista defendem a criação de novos ciclos econômicos Eloisa lopez/Reuters Todo o lixo eletrônico gerado no mundo contém cerca de 50 toneladas de mercúrio, 71 mil toneladas de produtos retardante de chamas bromados e 98 milhões de toneladas de CO2 equivalentes, afirma o estudo. De todas as montanhas de lixo geradas no mundo, a dos eletroeletrônicos é a que cresce de forma mais rápida. "Nos últimos cinco anos, a quantidade de lixo eletrônico cresceu três vezes mais rapidamente do que a população mundial e 13% mais rapidamente do que o PIB de todos os países", afirma o presidente da Associação Internacional de Resíduos Sólidos, Antonis Mavropoulos. "Há uma classe média crescente em muitos países que, há alguns anos, ainda eram típicos países em desenvolvimento. E neles há uma grande demanda reprimida", comenta Rüdiger Kühr, um dos autores do estudo e diretor do programa de ciclos sustentáveis da Universidade das Nações Unidas na Europa. Além disso, há cada vez mais aparelhos elétricos, diz Kühr, mencionando como exemplos o carro elétrico, a bicicleta elétrica e até jogos de salão. E a velocidade com que novos computadores e celulares tiram do mercado os modelos antigos também aumenta. Assim, a quantidade global anual de lixo eletrônico poderá passar para 74 milhões de toneladas em 2030, calcula o estudo. Isso poderá resultar em tragédia para o meio ambiente e para a saúde de muitas pessoas. Kühr defende a criação de novos ciclos econômicos. Por exemplo, os consumidores não comprariam mais os produtos, mas o serviço por eles prestado. O produto continuaria sendo propriedade do fabricante. Mas não precisa ser assim. Kühr afirma que a cota de reciclagem de eletrônicos poderia chegar a 100%. Mas o mundo está longe disso. Mesmo na Europa, onde se queria chegar a 65% em 2019, a cota atual é de 42%. Como este teria interesse em oferecer o melhor serviço aos seus clientes, teria também interesse em oferecer bons produtos e em investir em inovações. Ele também teria interesse em fabricar produtos mais fáceis de serem consertados e de serem reciclados, pois venderia o serviço que o produto oferece e não o próprio produto. Esse modelo já existe em alguns países, por exemplo com celulares ou máquinas copiadoras. Kühr defende ainda que o consumidor exija dos fabricantes mais informações sobre os efeitos dos produtos sobre o meio ambiente e sobre a taxa de reciclagem deles. Essas informações já existem, mas não são utilizadas como argumento de compra. "Acho espantoso que, no atual debate sobre as mudanças climáticas, no qual o setor automobilístico e a aviação civil fazem publicidade com iniciativas ambientais, a indústria de eletroeletrônicos deixe completamente de lado esse tema", diz Kühr.
    • Variedade foi desenvolvida pela UFSCar e produção de sementes em escala comercial deve ocorrer ainda neste mês. Saiba como ela é. Adocicada e ardida, conheça a Maria bonita, nova pimenta desenvolvida no Brasil A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo lançou uma nova variedade de pimenta que está agradando agricultores e chefes de cozinha: a Maria bonita. VEJA receitas com a pimenta A novidade surgiu para melhorar as características da pimenta biquinho, é como se a Maria Bonita fosse a “neta” dessa variedade, sendo 4 vezes mais pesada. “Ela é altamente produtiva, por exemplo, produz o dobro da biquinho e apresenta frutos maiores, o que facilita a colheita”, explica o engenheiro agrônomo da UFSCar Fernando Sala, responsável pelo desenvolvimento da variedade. O nome da pimenta, diz o pesquisador, surgiu para homenagear as mulheres do Brasil. Afinal, Maria é o nome feminino mais popular que existe e bonita é um adjetivo perfeito para as brasileiras. No campo Cada pé de Maria bonita rende de 10 a 12 kg de pimenta e pode produzir por até um ano. Da semente até a muda, são 30 dias e, depois de plantada na lavoura, demora mais 60 dias para realizar a primeira colheita. Assista a todos os vídeos do Globo Rural A agricultura Mônica Portella foi a primeira a produzir a pimenta e gostou do resultado. Ela fez o plantio de 2 mil pés há um ano e agora vai dobrar a plantação. “Ela já é um xodó nosso. Todas as pessoas que entraram em contato com os produtos e com a Maria bonita tem se demonstrado bem positivo com relação ao paladar e a estrutura que apresenta”, diz. A pimenta que sai da lavoura vai para a agroindústria da Mônica, que tem 3 funcionárias que fazem o processamento de 200 kg de Maria bonita por dia. No paladar A Maria bonita tem uma coloração vermelha bem chamativa e, no paladar, o sabor mistura um pouco de doce com o ardido. Mônica já está vendendo a pimenta in natura e outros produtos beneficiados em São Paulo. O Globo Rural visitou o restaurante do chef César Costa, que já usa a Maria bonita para conhecer algumas receitas com ela. “A gente adorou o produto logo de cara. Ela tem características únicas que se torna uma especiaria para a gastronomia, e a gente começa a fazer vários testes”, diz. Costa preparou pratos deliciosos, como galinhada e até mousse de chocolate. Para ver as receitas, clique aqui. Larga escala As características da Maria bonita chamaram a atenção de uma empresa, que fez parceria com a UFSCar para produzir sementes da variedade em larga escala. Os royalties da comercialização vai para a universidade. A expectativa é que sejam produzidos de 10 a 15 kg de sementes de pimenta só neste ano, isso corresponde a cerca de 4 milhões de plantas. A empresa está em fase final de produção dos primeiros lotes da semente e devem chegar ao mercado ainda neste mês. Pimentas no Brasil e no mundo São mais de 35 espécies de pimenta espalhadas pelo mundo, com milhares de variedades. Desde as mais conhecidas, como a dedo de moça, até as ornamentais. As pimentas fazem parte da história da humanidade, há evidência de que elas já estavam presentes entre os povos andinos, há cerca de 4 mil anos antes de Cristo. No Brasil, elas já eram consumidas muito antes da colonização portuguesa e foram domesticadas pelos índios, principalmente na Amazônia. Por muitos anos, eles foram os verdadeiros guardiões de algumas espécies. Hoje em dia, as pimentas são cultivadas em sua grande maioria por agricultores familiares. “A gente estima que a área de produção de pimenta no Brasil é em torno de 5 mil hectares, mas não há dados oficiais”, diz Fernando Sala, da UFSCar. O Brasil tem duas espécies importantes: a Capsicum baccatum, que tem a dedo de moça como representante e a Capsicum chinese, da qual a pimenta biquinho, “avó” da Maria bonita, faz parte.

    • Explosão populacional recorrente é atribuída por especialistas principalmente a fatores climáticos, como chuva, umidade e temperatura, que têm se acentuado por causa da ação do homem. Quando a conjunção favorece, quase 20 espécies de gafanhotos deixam a vida solitária para trás e passam a devastar lavouras em nuvem. Emater orienta produtores da Fronteira Oeste a monitorar chegada de nuvem de gafanhotos Reprodução/G1 Na Bíblia, os gafanhotos, a oitava das dez pragas, devastam árvores e campos no Egito. Nos registros do historiador romano Plínio, o Velho (23-79), 800 mil pessoas morreram de fome por causa de nuvens do inseto na região que hoje engloba Líbia, Argélia e Tunísia. A partir do fim do século 19, há registros de infestações no sul do Brasil por décadas seguidas — em Santa Maria (RS), conta-se até que uma nuvem de gafanhoto escureceu o dia, de tão densa. Atualmente, uma espécie de gafanhoto (Schistocerca gregaria) consome plantações no leste da África, no Oriente Médio e no sul da Ásia, ameaça a segurança alimentar de 10% da população mundial e é considerada a praga migratória mais perigosa do planeta. Gafanhotos da espécie Schistocerca cancellata passaram por um processo natural no qual deixam de ser solitários e passam a viver juntos. Em maio e junho, consumiram plantações no Paraguai e na Argentina. Agora, há expectativa de que eles possam voar para o Brasil ou o Uruguai. EPA A América do Sul vive hoje um misto de devastação e tensão por causa do inseto. Gafanhotos da espécie Schistocerca cancellata passaram por um processo natural no qual deixam de ser solitários e passam a viver juntos. Em maio e junho, consumiram plantações no Paraguai e na Argentina. Agora, há expectativa de que eles possam voar para o Brasil ou o Uruguai ou mesmo se dispersarem. O governo argentino tem conseguido reduzir o tamanho da nuvem, mas condições climáticas e a dificuldade de acesso ao lugar onde os insetos estão reunidos prejudicam o monitoramento diário. Ainda sem saber se será atingido ou não, o Brasil decretou situação de emergência previamente e publicou portaria com diretrizes e agrotóxicos recomendados para o combate da praga. O plano de ação cabe a cada Estado. O fenômeno de explosão populacional de gafanhotos tem milênios, mas até hoje o homem enfrenta sérias dificuldades para contê-lo. Nuvem de gafanhotos ameaça lavouras: veja 5 curiosidades sobre o fenômeno Mas não há muito a curto prazo o que fazer no momento contra nuvens dessa magnitude, com milhões de gafanhotos que devoram "tudo o que veem pela frente" e são capazes de voar até 150 km por dia, explica Kátia Matiotti, pesquisadora do Museu de Ciências e Tecnologia da PUC-RS. "Muitos agrônomos falam em aplicar o agrotóxico mais forte possível para eliminação total da praga, mas o importante é fazer um manejo constante e sustentável a longo prazo das espécies antes que a situação chegue a esse ponto." Há quase 7 mil espécies desse grupo de gafanhotos, mas cerca de 20 podem formar nuvens e devorar lavouras nessa magnitude. Em 1 km², pode haver 40 milhões de gafanhotos adultos, com capacidade de consumo diário equivalente ao de 35 mil pessoas, afirma a FAO (braço da Organização das Nações Unidas para alimentação e agricultura). Uma nuvem do tamanho da cidade de Roma (quase 1.300 km²), por exemplo, tem consumo diário equivalente ao da população do Quênia (51 milhões de habitantes). Essa explosão populacional é atribuída por especialistas principalmente a fatores climáticos, como chuva, umidade e temperatura, que têm se acentuado por causa da ação do homem. Quando a conjunção favorece, essas 20 espécies de gafanhotos com características gregárias deixam a vida solitária para trás. Registro mais recente feito por autoridades argentinas dos gafanhotos que assolam o país, em 30 de junho Senasa/Divulgação Esse processo leva à mudança de cor, ao aumento da resistência a inimigos naturais e à liberação de serotonina no sistema nervoso do gafanhoto, o que afeta sua sociabilidade e seu apetite. Normalmente, o inseto consome o equivalente a algo entre 30% e 70% de seu peso, mas essa taxa pode subir para 100% em certas condições. Gafanhotos habitam o planeta há pelo menos 300 milhões de anos, segundo dados coletados em fósseis, e com bastante êxito, adaptados a diversos ecossistemas. Esses insetos, que em geral medem de 3 cm a 8 cm, desempenham papel ecológico importante na troca de nutrientes do ambiente, ao controlar o crescimento de plantas e transformar tecido de planta em tecido animal, se tornando uma rica fonte de proteína para predadores (incluindo o homem), por exemplo. Quão difícil é combater nuvens de gafanhotos? Uma espécie de gafanhoto é considerada praga quando passa a disputar espaços e recursos com o homem, causar prejuízos financeiros e ameaçar a segurança alimentar de populações humanas, além de atender outros critérios (tamanho, duração do surto etc.). Nuvem de gafanhotos: o que se sabe até agora sobre a infestação Uma conjunção de fatores climáticos, como níveis de temperatura, umidade do ar, chuvas e ventos favoráveis à sua reprodução, pode estar por trás do fenômeno. Há também influência do uso excessivo de agrotóxicos e da prática de monocultura, que podem eliminar predadores naturais como aves e sapos e ampliar a quantidade de alimento disponível. O combate ao gafanhoto enquanto praga é bastante complexo, e a FAO aponta alguns motivos: o fato de os insetos ocuparem áreas enormes e de difícil acesso (a maioria dos satélites não consegue detectá-los) as mudanças climáticas imprevisíveis que influenciam explosão populacional dos insetos falta de recursos para monitorar e controlar populações de gafanhoto em países vulneráveis, e assim "prever" surtos escassez de profissionais treinados em monitoramento e combate coordenação falha entre os países atingidos dificuldade de aplicar pesticidas diretamente nos gafanhotos em razão do tamanho das nuvens e da capacidade de voo (até 150 km por dia) Fernando Rati, especialista da FAO na Argentina, afirmou que a melhor maneira de combater o Schistocerca cancellata é com fumigação aérea e monitoramento constante da área onde ele vive, que inclui Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil. No caso do gafanhoto-do-deserto (Schistocerca gregaria), que atinge África, Oriente Médio e Ásia, o serviço de informações administrado pela FAO fornece previsões, alertas precoces e sobre o momento, a escala e a localização das invasões e criação. Gafanhotos estão em local de difícil acesso para os técnicos do governo argentino Divulgação/Senasa Porém, uma vez que as populações atingem níveis críticos, como na África Oriental, é necessário tomar medidas urgentes para reduzir as populações de gafanhotos e impedir que mais nuvens se formem e se espalhem. Embora haja pesquisas em andamento sobre soluções mais ambientalmente sustentáveis, como pesticidas biológicos, manejo ou introdução de predadores naturais no ambiente, o método de controle mais comumente usado é a pulverização de pesticidas. Lançados às pragas por meio de bombas manuais, veículos terrestres ou aeronaves, nuvens inteiras podem ser alvejadas e mortas com produtos químicos em um período de tempo relativamente curto. Um século de combates no Brasil e em seus vizinhos Há registros de infestações de gafanhotos na América do Sul pelo menos desde o século 16, a exemplo dos relatos do padre chileno Alonso de Ovalle sobre o ar cheio gafanhotos na Argentina e a farinha que indígenas faziam dos insetos queimados em arbustos. Mas só três séculos depois esse problema passou a atingir significativamente a agricultura da região. Agricultor combate infestação de gafanhotos no RS nos anos 1940 com vara de madeira COLEÇÃO EDUARDO JAUNSEM, MADP/JUÍ Em sua tese de doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a historiadora Valéria Dorneles Fernandes destrincha os desdobramentos das infestações de gafanhotos no Brasil, no Uruguai e na Argentina de 1896 a 1952. Segundo ela, a história das infestações de gafanhotos na América do Sul é, em parte, a história da expansão agrícola nos países do subcontinente. Na Argentina, a agricultura e a extração de madeira se aproximaram da zona de origem da Schistocerca cancellata, o Gran Chaco. Fernandes afirma que a alteração da paisagem de pastagem para agricultura no bioma Pampa teve um certo papel na ampliação do fluxo migratório do inseto, que passou a ser atraído por uma maior oferta de alimentos, mas este é um fator adicional, como o movimento dos ventos e "corredores" ecológicos. Para a historiadora, os principais fatores que desencadearam explosões populacionais foram eventos climáticos. Ao longo das décadas, cada país lidou com a praga agrícola de acordo com suas prioridades. A questão era central na Argentina por afetar o mercado exportador e lateral no Brasil por atingir principalmente lavouras de subsistência (e por extensão agricultores pobres) na região Sul. Marcos Gerhardt, professor de história da Universidade de Passo Fundo, analisou documentos de autoridades municipais e entrevistou agricultores atingidos pelas nuvens de inseto no início do século 20. Segundo ele, havia pânico e medo do prejuízo econômico decorrente da perda do cultivo. Recorria-se então a uma série de técnicas e equipamentos. "Às vezes dava certo, às vezes não. Diminuía, mas não eliminava o problema. Governos municipais estavam também empenhados em ajudar os agricultores, mas não havia muitos recursos para todos naquela época", diz à BBC News Brasil. De acordo com Fernandes e Gerhardt, o combate à praga era principalmente manual até os anos 1930. Os métodos então passavam por barulho com latas ou varas de madeira, lança-chamas, uso de fungos, queimada de arbustos, arado para expor os ovos, valas comuns para incinerar ou enterrar vivos gafanhotos que ainda não voam, barreiras metálicas, caixas ou sacos de captura, entre outros. "O trabalho tem sido insano e fatigante, mas felizmente parece-me que a maioria dos agricultores salvarão as suas plantações", escreveu o intendente municipal de Ijuí (RS), em 1917. O uso de produtos químicos começa a ser difundido na América do Sul a partir dos anos 1930 e o de aviões, na década seguinte. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), houve uma grande difusão de uso de químicos na agricultura, e contra o gafanhoto em especial o hexaclorobenzeno (BHC), pesticida organoclorado conhecido como pó-de-gafanhoto. Por causa de sua toxicidade, a venda e o uso de BHC acabariam sendo proibidos no Brasil em 1985. Crise na África, no Oriente Médio e na Ásia As regiões agrícolas de subsistência são as mais vulneráveis à devastação causada por nuvens de gafanhotos. E a situação pode se agravar ainda mais. "Condições mais secas no futuro no norte e no sul da área de distribuição de gafanhotos-do-deserto podem produzir habitats mais favoráveis para esta espécie e podem ter impactos negativos significativos", diz à BBC o entomologista Michel Lecoq, um dos maiores especialistas em gafanhotos do mundo. "Os riscos em termos de danos às culturas, pastagens e, em última instância, à segurança alimentar e social de muitas pessoas pobres nos países em desenvolvimento podem ser enormes", adverte Lecoq. Mas não apenas as safras produtoras de alimentos estão em risco: no Paquistão, as autoridades têm lidado com uma infestação que ameaça as plantações de algodão, um produto responsável por quase metade das exportações do país. Espécies como gafanhoto-do-deserto consomem cerca de 2kg por dia FAO A maior crise recente na África Ocidental de 2003 a 2005 causou perdas de US$ 2,5 bilhões (quase R$ 14 bilhões em conversão de valores atuais), segundo a ONU. O continente enfrentou nuvens devastadoras nas décadas de 1930, 40 e 50, e algumas delas se espalharam por diversas regiões, atingido o patamar necessário para serem classificadas de praga. Em linhas gerais, a FAO estima que o gafanhoto-do-deserto afete a subsistência de uma a cada 10 pessoas do planeta, tornando essa espécie do inseto a mais perigosa peste migratória do mundo atualmente. Hoje, nuvens de gafanhotos-do-deserto atingem áreas do Leste da África, do Oriente Médio e da Ásia, incluindo a Índia. No auge da crise em 2019, consumiam 1,8 tonelada de vegetação por dia em uma área de 350 km², segundo a FAO. Durante os períodos de calmaria, conhecidos como recessões, o gafanhoto-do-deserto geralmente vive em áreas mais secas, onde a quantidade de chuvas não passa de 200mm por ano. A região afetada consiste em 16 milhões de km² ao longo de 30 países. No período em que se tornam pragas, os gafanhotos-do-deserto se espalham para uma área de 29 milhões de km² em 60 países, ocupando uma área equivalente a quase 20% da extensão de terra do planeta. Para Keith Cressman, especialista da FAO de monitoramento de gafanhotos, a situação poderia ter sido atenuada com maiores e melhores controles em alguns países-chave para a reprodução do inseto. Mas controlar populações tão grandes de insetos em áreas enormes e remotas continua sendo um desafio logístico. "Você nunca sabe realmente qual a porcentagem da população de gafanhotos que você conseguiu atingir", explica Cressman. Por esse motivo, diz, é crucial "dar as mãos e compartilhar conhecimentos e habilidades" para evitar uma maior deterioração da situação. No entanto, para o agricultor queniano Ali Bila Waqo, essa ação chega tarde demais. A única coisa que ele e sua família puderam fazer para combater as pragas quando elas chegaram foi bater em latas e gritar. "É a vontade de Deus. Este é o seu Exército." Pragas do Egito O imaginário coletivo acerca de gafanhotos é bastante associado às dez pragas do Egito, descritas na Bíblia e no Alcorão. Foto de novembro de 2004 mostra nuvem de gafanhotos perto das Pirâmides de Gizé, no Egito Reuters Segundo o Velho Testamento, o profeta Moisés ouve de Deus que deve pedir ao faraó egípcio que liberte os hebreus escravizados, mas o monarca se recusa. Deus fica irritado e decide então lançar dez pragas contra o Egito e seu povo em torno do século 13 a.C. O faraó só mudaria de ideia, de acordo com o livro do Êxodo, depois da décima praga: a morte dos primogênitos. Moisés e seus seguidores então deixam o Egito em direção à Terra Prometida, mas o monarca revê sua decisão e manda seu Exército atrás dos hebreus. Encurralados entre os algozes e o mar Vermelho, os fugitivos conseguem escapar quando Deus abre caminho entre as águas. As nuvens gigantes de gafanhotos compõem um dos dez castigos divinos contra o povo, o faraó e os deuses egípcios, numa espécie de exaltação de uma superioridade do Deus que guiava os hebreus. "E vieram os gafanhotos sobre toda a terra do Egito, e assentaram-se sobre todos os termos do Egito; tão numerosos foram que, antes destes nunca houve tantos, nem depois deles haverá. Porque cobriram a face de toda a terra, de modo que a terra se escureceu; e comeram toda a erva da terra, e todo o fruto das árvores, que deixara a saraiva; e não ficou verde algum nas árvores, nem na erva do campo, em toda a terra do Egito." Segundo alguns estudiosos, essa praga pode simbolizar também uma contestação à crença egípcia de colheita farta e um recado de impotência dos deuses egípcios ante os castigos de Deus. Há ainda na Bíblia menções a gafanhotos ligadas ao inseto como alimento, parte do apocalipse, analogia e provérbio, por exemplo. "Os gafanhotos não têm rei; e contudo todos saem, e em bandos se repartem." No Alcorão, há também o relato de pragas contra os egípcios (Moisés se chama Musa no livro sagrado do islã) e uma referência à chegada do fim do mundo, quando os humanos ressuscitariam como gafanhotos se espalhando, segundo a analogia do texto. Para além dos elementos sagrados e simbólicos, pesquisadores tentam há séculos descobrir se de fato ocorreram as sucessivas calamidades que atingiram que o Egito conforme relatam a Bíblia e o Alcorão, entre outros textos antigos. Há divergências entre estudiosos sobre as possíveis causas das eventuais pragas, entre elas fenômenos naturais e a erupção do vulcão da ilha grega de Santorini. Sobre os gafanhotos, a explicação passaria justamente pelo desequilíbrio ecológico que pode favorecer a explosão populacional que vemos até hoje. Além do mais, a nuvem de insetos de proporções bíblicas poderia servir até para explicar outra praga, a da escuridão no céu do Egito.

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